Home

Aproveitando que saiu o resultado do ENEM, se eu puder dar um conselho, não faça jornalismo na faculdade.
Não há nenhuma perspectiva a curto ou médio prazo de que essa seja uma profissão sustentável àqueles que não aceitam se prostituir – falo aqui em prostituição da mente, que a meu ver é muito mais obscena do que a do corpo.
Há basicamente dois caminhos hoje para um jornalista: trabalhar na mídia convencional (emissoras de TV, jornalões, revistas, portais, assessorias ou rádios diretamente relacionadas aos interesses do grande capital) ou se aventurar na chamada mídia alternativa/progressista/de esquerda (basicamente internet)
Se aceitas trabalhar na Globo, Veja, Caras e quetais, tudo bem, há chance de que essa profissão seja para ti, mas és um bosta, não escrevo para ti.
Se aceitas defender o grande capital em troca de migalhas, ou sonhas em escalar a pirâmide social, bajulando e servindo de capacho aos que estão no andar de cima na esperança de um dia também te tornares um deles, não escrevo para ti, pois, como bem sabes, és um bosta.
Escrevo para aqueles que sonham em ser jornalistas engajados nas causas sociais, contrários ao sistema, idealistas, progressistas, de esquerda. Escrevo para lhes dizer: não há futuro.
Não a curto ou médio prazo – talvez nem a longo – e a maioria de vocês passará fome se depender do jornalismo.
É a crise do intermediário, mas não só.
O jornalismo tradicional sempre dependeu visceralmente da publicidade estatal ou serviu de porta-voz dos ricos e poderosos, por isso se manteve. O mesmo não acontece com a chamada mídia progressista – se ela for realmente independente.
O que o governo petista fez ao destinar algumas migalhas a essa mídia é melhor do que o tratamento dispensado pelo governo ilegítimo, que cortou tudo e voltou a despejar caminhões de dinheiro apenas na Globo, Veja, Caras e quetais. Ainda assim foi absolutamente insuficiente e equivocado.
O que o PT fez foi escolher alguns sites por critérios pouco claros e dar dinheiro ao responsável pelo site. Em pouco tempo teria criado novas dinastias, como a dos Marinhos, Civitas, Frias…, ainda que, claro, dinastias de baixo orçamento comparado a estas.
Mas isso não é democratizar a mídia.
O jornalista peão continua fodido.
Enquanto as novas dinastias virtuais enchem os bolsos. Em troca defendem o PT ou qualquer governo supostamente de esquerda que garantisse a eles o suprimento financeiro de suas necessidades na forma de publicidade e propaganda. Conseguem mão de obra barata e engajada entre jovens idealistas, que, inocentes, não sabem de nada.
O que vemos agora nos chamados sites progressistas, ao menos nos mais famosos e que estão dentro dos que receberiam verba federal não fosse o golpe, é uma grande torcida para que a esquerda partidária volte ao poder. Isso é claro que muitas vezes por questões ideológicas, mas também financeiras. Nesse modelo, não há como separar as coisas.
Está tudo errado na mídia brasileira. E realmente, sem querer parecer fatalista, não vejo nenhuma possibilidade de mudança num horizonte próximo.
Enquanto o jornalismo não for visto como um serviço público fundamental, que precisa ser preservado e protegido de interesses políticos e empresariais, não há futuro.
Aproveitando então o resultado do ENEM, se eu puder dar um conselho, não faça jornalismo na faculdade.
E, claro, desligue a Globo e todo resto, busque (in)formação nos livros e na arte.
Como diz a música do Pink Floyd, o jornal mantém tua face dobrada no chão, e todo dia o jornaleiro traz mais.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s