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Eu achava que ser colunista era a coisa mais legal do mundo.
Como um amigo me disse certa vez “você é pago para escrever textão, e tá cheio de gente no facebook que faz isso de graça”.
Mas o fato é que eu não aguento mais as minhas opiniões, não aguento mais ter que dar opinião sobre qualquer assunto polêmico que gere visualizações na internet, e, por conseguinte, dinheiro para pagar as contas, e olhe lá. (jornalista só fica rico ou mesmo com uma situação confortável se aceitar se prostituir para a Globo, Veja e quetais).
Mas acreditava que como colunista de sites progressistas contribuía para o debate, ajudasse nas lutas, esclarecesse pessoas, oferecesse a elas argumentos, que talvez não tivessem tempo para pensar por serem exploradas diariamente e sequer terem tempo de perceber isso.
Talvez tenha feito isso ao longo dos anos, mas outro fato é que nas questões que mais importam hoje já não me resta o que dizer.
Vejam por exemplo o que está em pauta no momento: a condição sub-humana nos presídios, o assassinato de um homossexual pela própria mãe, o Mick Jagger na capa da Exame como garoto propaganda da reforma da previdência…
É tudo óbvio demais, torpe, vil ou patético demais.
Há uma falência generalizada do discurso, pela exaustão.
Sinto que já há algum tempo eu só me repito. Nada surgiu de novo, os argumentos são os mesmos de sempre e não mudarão, são mais que suficientes, são óbvios demais.
O problema então é mais profundo do que apenas lógico.
Quem comemora a chacina nos presídios, ou as execuções nas favelas, o assassinato de um homossexual pela própria mãe ou uma reforma da previdência que fará o pobre morrer trabalhando, não tem um problema de raciocínio lógico a ser desconstruído com argumentos, mas sim espiritual, metafísico, em relação a sua própria humanidade.
Pense se é possível desconstruir Bolsonaros ou Malafaias e torná-los pessoas razoáveis? Deve ser, mas não com argumentos lógicos.
São problemas mais profundos que não cabem num artigo de jornal e para os quais eu não tenho ainda resposta, nem como ajudar essas pessoas. Mas Deleuze já dizia que só devemos escrever sobre aquilo que não sabemos.
A frase talvez não seja bem essa, mas a ideia é que a escrita é um exercício de pensar, e não adianta escrever sobre o óbvio.
Assim me despeço do jornalismo, sem dizer adeus jamais, pois amo essa profissão e a vejo hoje como um sacrifício necessário.
Sacrífico no sentido que lhe dá Bataille, algo próximo da arte, uma oferenda ao Deus morto que já não pode nos salvar.
Só que no momento, realmente já não me resta nada a oferecer.
Parto então em busca de outros argumentos, outras reflexões, outras verdades que se ocultam na Filosofia.
Muito obrigado a todxs que leram, comentaram e compartilharam meus textos. Especialmente ao melhor editor que alguém pode ter, Paulo Nogueira, também pela oportunidade de escrever para um grande veículo que admiro muito (Diário do Centro do Mundo).
Talvez eu volte, um dia eu volto.
Abraços, e até a próxima!
Leo Mendes

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