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Parem de rezar por qualquer LGBT.

É um exercício espiritual mais indicado do que qualquer reza no momento, tentar se colocar no lugar de quem estava na boate, levou vários tiros e sobreviveu.

De alguém LGBT cuja família frequenta uma igreja fundamentalista que afirma que LGBTs vão para o inferno, e a família acredita. E vai tentar então convencer o ente querido baleado, ainda na cama do hospital, de que os tiros não são nada perto da ira imortal de Deus contra LGBTs.

Deus esse, que em sua infinita bondade, deu ao LGBT uma nova chance de ser heterossexual e cisgênero, antes de condená-lo ao fogo eterno.

Uma família que fala bolsomito, e que espancou o garoto durante a infância e adolescência para “ensiná-lo a ser macho”. Que sempre afirmou que LGBTs gostam de se fazer de vítimas, e agora não sabe o que dizer.

Talvez por isso diga que reza por Orlando, mesmo que seu deus esteja disposto a entregar LGBTs ao demônio.

Se quiserem realmente ajudar, melhor seria então que não rezassem a um deus assim. Ou que fizessem suas orações contra a vontade divina, em protestos silenciosos, em sinal de mínimo respeito pelas vidas destruídas e todo o sofrimento envolvido.

Muitos querem realmente ajudar, de coração, na salvação dos infiéis. Outros buscam apenas destilar frustrações e se sentir melhores (do que outros). E outros querem ainda somente dinheiro.

Hitler vendia a seus devotos perdedores a ideia de que eram seres superiores por serem alemães e heterossexuais. Muitas igrejas ainda vendem a ideia da superioridade sexual.

Assim desumanizam a diferença, e nos permitem odiar o rosto de um semelhante. Que passa a ser visto como ameaça a uma causa maior, seja a “família”, os “bons costumes”, a “pátria”, a “raça”, como motivo de uma angústia terrível, o desejo de combater um inimigo imaginário.

Essa angústia, porém, só existe enquanto o inimigo imaginário existe, na cabeça de quem o imagina. Descoberta a ilusão, a angústia desaparece junto com o inimigo.

A diferença entre o fundamentalismo religioso afegão e o brasileiro é que o primeiro encontrou condições mais favoráveis para desenvolver a ilusão, o ódio à diferença, ao extremo, mas ambos matam todos os dias.

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