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rodrigo constantin

 

A filósofa Márcia Tiburi tratou em seu novo livro sobre como conversar com um fascista, e acredito que tão urgente quanto é aprender a conversar com um liberal brasileiro.

O liberalismo numa sociedade tão desigual quanto a nossa é a porta de entrada para drogas mais pesadas, como o fascismo.

O liberal brasileiro sonha com um país livre do peso do Estado, mas depende da polícia e do Estado para manter a ordem estabelecida.

Sonha com um país que permita que a iniciativa privada prospere, que liberte o mercado para cuidar de tudo e quase todos.

Não importa para o liberal brasileiro que as fortunas tenham sido acumuladas por meritocracias escravocratas, e que muitos não tenham nada, enquanto outros sejam herdeiros de capitanias hereditárias.

O liberal brasileiro acredita que o passado não importa.

Que fora das “exatas”, a Economia é a única área de estudo que pode ser levada a sério, e quer ajudar o povo de humanas a fazer miçangas.

O liberal brasileiro não entende de Filosofia (acredita que seja também “de humanas”), não respeita a Sociologia, a História, a Pedagogia.

Só é capaz de compreender gráficos e diagramas, e assim tenta justificar a necessidade de fechar escolas e modificar a rotina de milhares de estudantes, de acordo com o parecer de economistas.

Para o liberal brasileiro, o Estado deve ser mínimo, e a polícia máxima.
“Menos escolas, mais prisões!”, resumiu nesse título profético o ex-blogueiro da Veja Rodrigo Constantino, demitido esse ano em meio à crise de mercado da Abril.

Mas ao tentar apagar o passado, ao abrir mão de corrigir injustiças históricas, os liberais se esquecem de combinar esse esquecimento com as vítimas das injustiças, a maioria da população.

A velha mídia cumpria o papel de garantir o esquecimento, de alienar as massas, manipular informações e impedir a resistência. Na era da internet, porém, isso já não é mais tão fácil, e o poder de mobilização dos estudantes secundaristas em São Paulo é uma prova disso.

Por trás da “reorganização” das escolas paulistas, está também o liberalismo: a ideia é “reorganizar” para vender. Nada tem de pedagógico, pelo contrário, e especialistas em educação são quase unânimes em condenar o modelo proposto pelo governador Geraldo Alckmin.

O que motiva o pedido de impeachment da presidente Dilma é também o liberalismo. Nada tem a ver com corrupção ou pedaladas fiscais e a principal acusação é a de que Dilma não é liberal o suficiente, por mais que se esforce.

A verdade é que quem atrapalha os negócios, incomoda o mercado, a plutocracia, precisa ser combatido pelos liberais, seja através da mídia, da polícia ou de outros poderes de aluguel.

A verdade é que quem se beneficia do liberalismo é uma minoria poderosa, mas que perde poder de modo diretamente proporcional ao declínio da velha mídia e a ascensão de novas formas de mobilização popular e resistência.

Por isso não será fácil expulsar os estudantes das escolas ocupadas. Não será fácil derrubar a presidente Dilma.

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