Home
tretaa

Não tretarás em vão, poderia ser um dos mandamentos.

No Oriente dos samurais, falava-se em não desembainhar a espada à toa.

Mas há tanta burrice, canalhice, tantas lutas, tantos comentários a se fazer…

Minha hipótese é a de que a internet aos poucos colocará todos nós uns contra os outros e assim as máquinas dominarão o mundo mais facilmente.

As primeiras evidências disso surgem geralmente com as tias distantes que você convivia de boas vez ou outra, mas cujo perfil do facebook lhe desperta os instintos mais primitivos de aniquilação.

E a coisa parece se agravar.

Já não basta excluir “amigos” que compartilham o Bolsonaro, pois com esses, de fato, parece não haver mais diálogo possível, e o diálogo é uma necessidade metafísica.
As tretas assim parecem avançar sobre aqueles considerados civilizados.
Minha treta mais recente foi com o Coletivo Mariachi, que até então eu guardava em alta estima.

Primeiro por um post em que atacavam de modo grosseiro, descontextualizado e medíocre o movimento anarquista. Depois por postarem o vídeo de uma criança pequena que quebrava coisas numa escola, e perguntarem o que fazer com essa criança, como se a própria exposição já não fosse absurda. Por último, por uma crítica ao DCM que apelava a um ad hominem baixo e a calúnias dignas da Veja, numa tentativa de denunciar o suposto machismo numa postagem, mas que não ajudava em nada a desconstruir preconceitos e desqualificava todo o trabalho sério feito pelo site, inclusive de combate ao machismo.

No vídeo da criança, não me contive e gritei em CAPSLOCK : PÁGINA DE MERDA!

É provável que numa mesa de bar isso não acontecesse, e eu tivesse uma noite agradável ao lado das mulheres do Mariachi.

Arrependi-me, e acho que o meu ponto é então o mesmo dos samurais do oriente, uma economia nas espadas para só levantá-las de fato diante do inimigo intratável. O que luta realmente do lado oposto, e não acredito que seja esse o caso do Coletivo Mariachi. Como duvido que assim elas considerem o DCM ou o movimento anarquista, caso procurem conhecê-los melhor.

Meu ponto é que é preciso mais paciência pedagógica àqueles acostumados a dialogar apenas com seus semelhantes, caso queiram de fato mudar alguma coisa, e não apenas pregar para convertidos.

Meu ponto é que realmente não parece haver mais diálogo possível com muitos e, como diz a Enya em toda sua paz transcendental, a esses, Only Time.  Mas com outros ainda há, se o ímpeto aniquilador que se expande em ambientes virtuais não estragar tudo.

Meu ponto é na verdade uma área nebulosa e fragmentada, entre o poder transformador da treta e a paciência deboísta.

Anúncios

One thought on “Entre a treta e o deboísmo, um ensaio

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s