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Se os hackers adolescentes que invadiram o site do pastor e deputado Marco Feliciano, tivessem invadido o sistema da Câmara durante o protesto contra “a profanação da fé durante a Parada Gay…”, poderíamos ouvir “I Will Survive” tocar no plenário, enquanto o telão informaria a fortuna que cada um daqueles deputados manifestantes fez na sua igreja que o elegeu.

Ou talvez devêssemos chamar a polícia militar para tentar conter esses manifestantes, impedi-los de interromper votações, como fez o governador Beto Richa no Paraná com os pitbulls.

Motivos havia de sobra e o protesto foi sem dúvida criminoso, pois, no mínimo, se utiliza indevidamente da imagem de pessoas, para denegri-las e discriminá-las.

A travesti Viviany Beleboni, que enlouqueceu Feliciano durante a Parada ao aparecer sem camisa presa a uma cruz, foi uma das que teve a imagem utilizada indevidamente.

Ela já disse que não estava a representar Jesus, e sim o sofrimento causado pela homofobia, porém mesmo que estivesse, condená-la por isso é uma prova inegável de discriminação.

Segundo esses deputados, uma travesti não tem o direito de ser cristã e utilizar símbolos cristãos em manifestações políticas, como a Parada LGBT. Mas já nas marchas e manifestações de conservadores e fundamentalistas o nome de Deus pode ser utilizado sem problema nenhum.

Segundo esses fundamentalistas, LGBTs não tem o direito também de aparecer na novela, na publicidade, em família ou mesmo nas ruas como aquilo que são.

Devem se esconder em armários ou dentro de suas casas cheios de culpa e infelizes, para o maior conforto daqueles que lhes condenam.

E que continuam a causar assim o sofrimento de muita gente, talvez inclusive deles próprios, recalcados e mutilados pela hipocrisia. E por isso ainda é melhor tentar esclarecê-los do que simplesmente desprezá-los.

Porém isso já é uma tarefa espiritual, quase como a proposta por Clarice Lispector para lidar com ratos mortos e a repugnância a seres como Marco Feliciano é difícil de ser vencida.

Parece que só mesmo o amor proposto por Cristo ou por Buda, amor incondicional por nossos semelhantes, é capaz de derrotá-la.

Mas então faria também todo sentido Jesus voltar ao mundo no Brasil como uma travesti, que tanto sofre com as pedras atiradas por uma sociedade intolerante.

Caso volte, é possível que seja assassinada outra vez na sombra de uma cruz, ou quem sabe nos salve de uma vez por todas do preconceito.

Enquanto isso não acontece, é homenageado na Parada LGBT por travestis cristãs, que vivem em um país com liberdade religiosa e tem todo o direito de fazer isso.

Mas concordo que as vezes a liberdade religiosa extrapola os limites da decência, como a liberdade de não pagar impostos das igrejas que elegeram esses deputados.

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