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Isso não será uma lista numerada ou classificatória porque os amores na Filosofia se misturam, complementam-se, ganham ou perdem potência e não parecem existir isolados.

Por isso podemos no máximo tentar seguir uma ordem cronológica das ideias que foram surgindo em diferentes linguagens e épocas e ajudaram a construir uma das mais vastas e incompreendidas palavras. Fazer uma espécie de recuperação histórica, arqueologia, sem esquecer que definir o amor é na verdade tentar experimentá-lo, produzi-lo, o que o torna fonte inesgotável de discursos.

Talvez todo ser humano que já viveu tenha algo a acrescentar sobre o amor, mas talvez também todos criem as suas próprias experiências a partir da tradição, do que lhes foi ensinado, e não exista cultura sem amor.
No berço da nossa civilização, a chamada tradição ocidental, uma das mais célebres definições surgiu na Grécia, quatrocentos anos antes de Cristo: o amor como falta.

O Eros platônico que ama o que não tem, e que nos impulsiona a lutar pelo que nos desperta o desejo. Inclusive o desejo por Sabedoria, para saber lidar com Eros.

Contemporâneo e aluno de Platão, Aristóteles propõe o amor como Philia, o amor daquele que desfruta do que ama e é capaz de fazer esse amor durar no tempo.

Já quatrocentos anos depois, Jesus Cristo tentou expandir essa concepção ao aumentar o foco, e assim seríamos capazes de amar todas as pessoas, mesmo a nossos inimigos, que na eternidade não seriam inimigos.

Uma ideia tão forte que, literalmente, marcou época num ocidente ainda bem distante do oriente ou da cultura dos nativos da América.

Essa ideia central do cristianismo, porém, não foi aplicada pelas sociedades que se desenvolveram com base na doutrina, e durante toda a Idade Média pouco se viu do amor cristão.

Mas as igrejas cristãs detinham o monopólio sobre os discursos e muitas obras filosóficas com novas tentativas de definir o amor foram queimadas, assim como seus autores.

Spinoza foi um dos que conseguiu escapar no século XVI, para dizer que o “amor é a alegria acompanhada da ideia de uma causa exterior”. E alegria é o que aumenta a nossa potência de agir no mundo.

Com base em uma dinâmica de afetos semelhante a de Spinoza, Nietzsche desenvolve no século XIX a sua ideia de amor fati, o amor daquele que ama a si mesmo como aquilo que é: Vontade de Potência. E assim ama também a todas as coisas como elas são. Que ama a ponto de querer (ou aceitar) que essa vida se repita eternamente, sem qualquer necessidade de um paraíso além-mundo.

Mas a Filosofia dos séculos seguintes trata de desconstruir ou ao menos balançar todas as grandes definições ao se aprofundar na questão da linguagem, e assim problematiza também se de fato tem sentido falar sobre o amor.

Wittgenstein o coloca no âmbito do inefável, daquilo que as palavras na verdade não são capazes de significar em nenhuma linguagem.

Que se revela no abrir mão das palavras e soltar também de tudo mais, no puro afeto de uma mente sem lembranças e esperanças. No Mindfulness, atenção plena, conceito que os gurus da auto-ajuda contemporânea descobriram recentemente, mas existe no oriente há milênios.

Assim o máximo que conseguiríamos com a linguagem é dar sentido a uma seta a apontar um caminho, que levaria a uma experiência. Da experiência em si, nada poderia ser dito que faça sentido aos outros e o melhor a fazer então é aproveitar o silêncio, como canta o Depeche Mode, já nos anos 1980.

“Tudo o que eu quero, tudo o que eu preciso, está aqui, nos meus braços”, diz o refrão de Enjoy the Silence, talvez ainda a música mais tocada em ritos sociais contemporâneos dedicados ao encontro amoroso e a Dionísio, conhecidos como boates.

Numa zona nebulosa entre o que cada um tem, quer ou precisa ter nos braços, existe o que ainda não foi dito e não conseguimos dizer. Só sabemos sentir cada vez de um jeito diferente, e então querer de novo, eternamente, porque nos traz alegria ou produz potência, revela o plano maior de Deus, a profunda ligação entre todas as coisas, ou apenas vicia.

A tudo isso já chamamos de amor. E há quem diga que ele prefere vir sem ser chamado.

Já está em tudo ou só existe a pulsar em todos nós

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2 thoughts on “8 tipos de amor na Filosofia

  1. Pingback: 8 tipos de amor na Filosofia | martinwbreuer

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