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A causa LGBT no Brasil parece chegar a um ponto de saturação em que de tanto ter que repetir o óbvio, ninguém aguenta mais.

Nos últimos meses foram tantos casos de comoção nacional ridículos, como por um novo “beijo gay” na novela, que a polêmica fica saturada. E basta perguntar aos sites de busca sobre o que a maioria está buscando informações, que acreditará que a propaganda do Boticário foi o assunto mais discutido no Brasil na semana.

E ainda tivemos a Marcha para Jesus e a Parada Gay de São Paulo. Malafaias e Felicianos estão subindo pelas paredes.

É muito hormônio, demônios ou recalque a escapar dos corpos para na rua, nos templos ou na internet se transformar em espancamentos, suicídios, lares inóspitos e assassinatos.

A relevância humanitária da questão ainda impede então que os pastores e deputados analfabetos espirituais e oportunistas políticos tenham a merecida insignificância reconhecida, mesmo com o seu assunto preferido saturado.

Parece que tudo o que podia ser dito ou acontecer para se provar que a comunidade LGBT tem o direito à liberdade, ao casamento civil ou espiritual, à maternidade/paternidade ou a simples felicidade no mundo já foi dito ou aconteceu.

Mas talvez seja justamente por isso que um casal de lésbicas velhinhas e felizes, com filhos felizes, ou um casal de homens apaixonados a trocar presentes, incomodam tanto. Principalmente porque existem, ao mesmo tempo em que lhes é negado o direito de existir.

Segundo esses fundamentalistas, LGBTs não tem o direito de aparecer na novela, na publicidade, em família ou nas ruas como aquilo que são.

Devem se esconder em armários ou dentro de suas casas cheios de culpa e infelizes, para o maior conforto daqueles que lhes condenam.

Na Rússia, essas restrições à existência de LGBTs no espaço público já existem, e num Brasil em que Eduardo Cunha é presidente da Câmara, os fundamentalistas tem suas esperanças renovadas.

Suas esperanças mais mesquinhas, de gente que causa o sofrimento de muita gente e por isso ainda é preciso esclarecê-los, muito mais do que desprezá-los.

Mas isso já é uma tarefa espiritual, quase como a proposta por Clarice Lispector para lidar com ratos mortos e a repugnância a seres como Silas Malafaia é difícil de ser vencida.

Parece que só mesmo o amor proposto por Cristo, ágape incondicional por nossos semelhantes, é capaz de derrotá-la.

E por isso faz todo o sentido também Jesus aparecer como uma travesti numa manifestação LGBT, e só enxerga isso como uma ofensa, quem considera uma ofensa a existência de LGBTs, e então podem até ameaçar de morte a modelo travesti como se defendessem valores cristãos. Talvez a queiram pregada de verdade numa cruz, em suposta defesa do Cristianismo, do qual se julgam representantes ou proprietários.

A esses, nossa compaixão, ensinaria Jesus, pois cheiram a ratos mortos e nenhum perfume pode ajudá-los. Somente o amor que desconhecem e por isso não sabem o que fazem.

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