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Ficamos no Brasil, em média, doze anos na escola, até concluir o Ensino Médio. É bastante alarmante que ainda assim exista tanta gente que recebeu o diploma sem ter um mínimo de noção.

Gente que sabe ler, escrever, fazer as operações matemáticas básicas ou mesmo dividir polinomios, que sabe que samambaia é uma pteridophyta, que os portugueses “descobriram” o Brasil…

Muitos tem inclusive um diploma de faculdade. Outros tantos de pós-graduação, ou, mesmo sem tê-lo, escrevem nas placas dos consultórios e escritórios que são doutores, e ainda assim acreditam que o governo petista importou 50.000 haitianos para conseguir vencer as eleições.

Quem acredita nisso…, bom, esteve na Av. Paulista de verde e amarelo, e sim, acredita em tudo.

Mas a estupidez é um fenômeno complexo, com muitas causas, como uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta que com o tempo formou um público tão vil como ela mesma, diria Joseph Pulitzer. Também de uma educação que não é libertadora e que faz com que o sonho do oprimido seja ser o opressor, diria Paulo Freire.

Acredito, porém, que ainda seja Heidegger quem hoje melhor nos ajude a pensar sobre esses tempos sombrios.

A fenomenologia do filósofo alemão, contudo, é impenetrável para quem passou doze anos na escola sem ouvir falar de fenomenologia. Que entrou numa faculdade e saiu ainda mais obtuso com o diploma de especialista. E é justamente aí que Heidegger deve ainda ajudar a revolucionar o mundo.

Em sua crítica feroz ao pensamento que só sabe calcular (não apenas números), que se volta exclusivamente para a técnica e transforma o ser humano em uma máquina burra, porém eficiente, útil ao sistema, à gestell.

Que bate ponto nos consultórios, escritórios, tribunais, redações ou agências, mas, em geral, não aprecia muito o trabalho, pois só o faz por dinheiro, em um sistema desumano.

Que ainda é capaz de se questionar, mas logo faz as pazes; o contrário altera a digestão.

Que toma vez ou outra algum veneno que lhes proporciona agradáveis sonhos e no fim muitos venenos para morrer agradavelmente.

A quem já não falta um pouco de prazer para o dia e um pouco de prazer para a noite.

Por sorte, diria Nietzsche, esses são os últimos homens.

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One thought on “A falta que faz a Filosofia na educação

  1. Pingback: A falta que faz a Filosofia na educação | Amantes de Sofia

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