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O melhor método de formar uma opinião sobre as terceirizações é conversar com funcionários terceirizados.

Fiz isso na unidade em que eu trabalho na UFRJ.

Num universo de cinqüenta funcionários terceirizados, vários deles estão na terceira, quarta, quinta ou sexta empresa. As anteriores decretaram falência, perderam contratos e os demitiram ou simplesmente, um belo dia, desapareceram.

Uma funcionária que prefere não se identificar com medo de represálias, mas trabalha há mais de 20 anos como terceirizada no setor de limpeza e já passou por seis empresas, relata situações absurdas e de muito sofrimento.

A mais forte talvez seja a da empresa Vidal Brasil,  na qual trabalhou por um ano e oito meses, os três últimos sem receber. Entrou na Justiça, venceu a causa, mas nunca recebeu nada.

Sim, os escritórios da empresa sumiram, os donos estão foragidos e os terceirizados ficam então sem receber, à espera de uma Justiça que nunca chega para os pobres.  Ou quando chega é para prendê-los, por não terem suportado mais.

Até que outra empresa vença outra licitação – muitas vezes em nome de laranjas, que pouco tempo depois desaparecem outra vez – e eles consigam novamente serem contratados, alguns na minha unidade só não passaram fome porque receberam doações de cestas básicas. Outros foram despejados de suas casas.

E não são casos isolados, muito menos exclusivos da UFRJ. Na verdade, muitos funcionários que estão hoje na minha unidade, já passaram por diversos outros locais e a situação foi a mesma.

Até porque as empresas responsáveis pelos terceirizados de lá são as mesmas responsáveis por muitos outros, e o problema talvez seja justamente esse.

Eles não criam vínculos em lugar algum. Não são funcionários da UFRJ, mas sim de uma empresa que é a mesma responsável por serviços na prefeitura, no hospital ou no banco, e pode deslocá-los como bem entender.

O trabalho dessas empresas na verdade muitas vezes é apenas selecionar currículos e lucrar em contratos de exploração de mão-de-obra barata.  Quanto mais barata, maiores as chances de vencerem as licitações ou serem escolhidas.

Minha pesquisa na UFRJ, contudo, não segue o método científico, nem se baseia em estatísticas, gráficos e diagramas admirados por economistas, que talvez sejam os únicos capazes de justificar as terceirizações, mas que até hoje não foram capazes de diminuir as desigualdades ou de conversar com faxineiros terceirizados.

Talvez precisem fazer isso as vezes, para se livrar  da fraudulenta superioridade que julgam possuir como especialistas do mercado. Talvez precisem tentar convencer os terceirizados da minha unidade ou de qualquer outra de como é bom ser terceirizado.

Mas a PL 4330 parece ter vindo então num bom momento para fomentar as discussões necessárias a respeito do tema. O problema é tentar oficializar a exploração ao invés de combatê-la.

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