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A história se repetirá como tragédia ou como farsa?

Onde nós erramos? Como espécie, como sociedade, como país, para chegar ao ponto de uma página como “Revoltados On line” ter 600 mil participantes?

Precisamos falar sobre essas pessoas. Mais do que isso, precisamos falar com essas pessoas, mas não é uma tarefa fácil.

O primeiro desafio é conseguir chegar até elas. Conseguir quebrar o muro que as separou da realidade ao ponto de acreditarem que o PT é um partido comunista.

Pelas emissoras de TV não é possível, já que são concessões públicas a serviço do interesse privado de algumas famílias, e o que essas famílias querem é justamente promover essa revolta. Tentar preparar o terreno para mais um golpe, por medo da regulamentação da mídia, que, cinicamente, chamam de censura.

A internet surgiria então como alternativa, porém, os “Revoltados on line” e cia, parecem usar a rede apenas para manifestar suas conclusões e nunca em busca de conhecimento.

Conhecimento para quê, se é tudo tão óbvio? Era só o Aécio ter vencido e seus problemas acabavam.
E foi por tão pouco!

Chegaram a comemorar a vitória no apartamento da irmã do candidato ao lado de Luciano Huck e Angélica para logo em seguida ter de encarar a dura realidade.

Muitos ainda não se recuperaram e permanecem na segunda fase do luto. Dizem que há cinco: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação.

Porém apenas para um pequeno grupo a vitória que não aconteceu seria de fato o fim dos seus problemas. E por isso precisamos também conseguir reconhecer quem é quem e saber argumentar de acordo com a circunstância.

Há três grupos bem distintos de golpistas:

1) Os super ricos, o 1%, que não quer abrir mão de nada e luta para sufocar qualquer movimento contra o sistema que os beneficia, mas que prejudica a maioria. Nesse grupo estão os grandes sonegadores fiscais que bradam contra a corrupção, os herdeiros de fortunas que defendem a meritocracia ou os diretores de jornalismo da Rede Globo.

2) A classe média ignorante e explorada, que defende os interesses do 1%, com a ilusão de que um dia possa também fazer parte dele. Aqui estão os pobres de direita e os chamados “novos ricos”, que na verdade ainda podem ser classe média, mas moram na Barra da Tijuca e acreditam que todos tem chance de “vencer na vida” como eles, basta deixar de ser vagabundo, entrar para a igreja ou vender produtos Herbalife.

3) Os militares de pijama do Clube Militar, que comemoram a “revolução de 64” e babam à espera de uma nova chance de voltar ao poder.

Nazistas e fascistas estão presentes nos três grupos, em minoria.

Apenas para o primeiro grupo a eleição de Aécio era a garantia de noites tranquilas de sono, mas como o sonho do segundo grupo é ser como o primeiro, podem parecer até mais entusiasmados na revolta e no golpismo, na tentativa de dizer: “vejam, eu sou como vocês!”.

Só que não, são bem diferentes.

Com os super ricos golpistas, a única argumentação que me parece possível é quase metafísica. Algo que apele à empatia, à espiritualidade, ao nosso destino como espécie em um planeta hostil.

Ao contrário da classe média ignorante, os super ricos já sabem que o que diferencia um governo do outro não é a corrupção (e sim se ele está mais à direita ou à esquerda, e, não podemos esquecer, foi a direita que perdeu nas urnas), pois eles próprios, em grande parte, são corruptos. Não se informam pela Veja, e sim, definem o que estará na capa.

Já para a classe média ignorante, tudo depende do grau de ignorância. Do nível de exposição ao lixo tóxico de Azevedos e Constantinos, mas ainda podem ser convencidos apenas por fatos.

Acredito que não existam casos perdidos, mas que alguns exijam uma paciência que eu não tenho. Que muitos não tem e acabam descendo ao mesmo nível ao invés de virar as costas, tratando o que deveria ser uma aula de história como uma discussão.

Destruir o muro que separa as pessoas da realidade política do país não é uma tarefa fácil, mas pode ser feita, apenas com pedagogia e autocontrole. Com a regulamentação da mídia e, nos casos mais graves, como dos “Revoltados on line” ou dos militares de pijama, com tratamento psiquiátrico ou terapia ocupacional.

Esses não sabem o que fazem, são a linha de frente de um ódio que vem de cima, de uma mídia cínica, mercenária, demagógica e corrupta que formou com o tempo um público tão vil como ela mesma, mas que lá no alto é apenas oportunismo. Devem ser vistos como mestres a nos ensinar a ter paciência.

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