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Dona Florinda é uma personagem arquetípica do seriado mexicano “Chaves”, que mora num cortiço, é viúva de um militar de baixa patente e manda que seu filho Kiko não se misture à gentalha pobre.

Quase sempre se referindo a Seu Madruga, um pai de família desempregado que já tentou ser vendedor, carpinteiro, empresário, pedreiro, pintor, mas nunca consegue pagar os 14 meses de aluguel que deve ao dono da Vila, o Senhor Barriga.

Se vivessem no Brasil de hoje, Seu Madruga receberia o bolsa-família, Kiko gritaria Petralha! Petralha!… e Senhor Barriga teria um adesivo do Aécio colado no carro.

Mas esse Fla-Flu em que se transformou a eleição para presidente é um bom sinal.
O reflexo mais aparente das Jornadas de Junho, do “gigante que acordou”, de uma nova democratização da política que acentua uma polarização esquecida.

Chamaremos esse esquecimento de pemedebisbo, como sugere o filósofo Marcos Nobre, autor de “Choque de democracia. Razões da revolta”.

Mais do que referência a um partido, o pemedebismo é um estilo de vida.

Um estilo que permite a um candidato, por exemplo, ser apoiado por Silas Malafaia e pelo movimento LGBT da Bahia ao mesmo tempo.

Que é especialista em aceitar o inaceitável e seguir em frente, bem devagar, sem contrariar muitos interesses.

Por isso as Jornadas de Junho e seus desdobramentos, a indignação coletiva que tomou as ruas, os bares, as reuniões de família e as redes sociais desde então, parecem principalmente um movimento de despertar para o fim do pemedebismo.

Um movimento coletivo por mudanças urgentes ou radicais – para o bem ou para o mal – que não podem ser feitas sem que interesses sejam bastante contrariados.

Mas é claro também que não importa quem vença essa disputa presidencial, eles não serão.

Aécio é a continuidade do pemedebismo, redirecionado à direita.

Dilma, o pemedebismo à esquerda.

Aécio tem o apoio de Levy Fidelix, Jair Bolsonaro, Pastor Everaldo, Coronel Telhada e de praticamente todos os extremistas de direita. Enquanto Dilma, se não conta com o voto de todos os esquerdistas (muitos podem votar nulo em protesto contra o pemedebismo), está muito mais próxima deles do que Aécio.

Nenhum dos dois atenderá as demandas mais radicais de seus eleitores, mas podem preparar o terreno para os que virão depois deles.

Por isso o que está em jogo é muito mais do que “tirar essa gente do poder”, como disse Fernando Henrique. É preciso conhecer muito bem quem colocaremos no lugar.

Marina Silva resistiu por poucas semanas e twittes. Aécio parece seguir pelo mesmo caminho.

Há poucos meses a maioria dos eleitores não fazia idéia de quem é Aécio Neves e hoje talvez ainda não faça, mas muitos podem votar nele assim mesmo e confiar no peemedebismo.

“Homer Simpson” não gosta de pensar, diria William Bonner sobre o telespectador do Jornal Nacional.

E as implicações do caso do aeroporto de Claudio, as suspeitas de envolvimento de aliados de Aécio com o tráfico internacional de drogas, o nepotismo, a improbidade administrativa no governo de Minas, a independência do Banco Central, a política econômica de Armínio Fraga, o exame de bafômetro, a denúncia de agressão à namorada no Hotel Fasano, e tantas outras questões ainda pouco conhecidas sobre o candidato, dão muito trabalho ao eleitor que quer apenas exterminar petralhas.

Como o ator Dado Dolabella, que tanto bateu em mulheres e tão pouco pensou sobre política.

Para o eleitor estilo Dado, ódio e indignação contra o governo já são suficientes. E a mídia tucana acreditou que para vencer as eleições bastava incitá-los. Ódio e indignação contra tudo o que está ai.

Mas o que esta aí há muito tempo é o pemedebismo. Ao menos desde a ditadura dos militares, que torturaram Dilma e apóiam Aécio.

Um comunicado do Clube Militar, cujos membros são oficiais da reserva, muitos deles que comemoram a “Revolução de 64”, justifica o apoio ao tucano para “virar uma página negra da história”, que seria o governo petista.

Talvez porque os governos petistas fizeram mais pelos negros, do que os militares ou os tucanos. Empenharam-se um pouco mais, ainda que dentro do pemedebismo, a combater absurdos históricos, desigualdades e privilégios. Porque negros para os velhinhos do Clube Militar ainda é sinônimo de pobres e porque fomos o último país das Américas em que deixou de ser sinônimo de escravos.

Porque a direita, representada por Aécio, é por definição conservadora, e a “meritocracia” dos brancos, herdeiros e coronéis, com ele será melhor preservada. Também os falsos privilégios de uma classe média que gosta de se ver como elite, que sofre com o Complexo de Dona Florinda.

Muitos eleitores, porém, tem mudado de ideia rapidamente, como a respeito de Marina Silva.

Talvez pelos debates, ou pelo acesso a outras fontes de informação além da mídia nativa. Por terem entrado para a faculdade ou aprendido a ler.

Mas Dado Dolabella, Senhor Barriga e os velhinhos do Clube Militar não devem mesmo mudar o voto tão cedo. Dona Florinda e Seu Madruga que decidirão as eleições.

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