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Saia vitorioso Aécio ou Dilma, uma coisa é certa: a oposição precisa ser de esquerda.

A direita é quase que por definição conservadora. E não vivemos num modelo justo o suficiente para tentar conservá-lo.

Apesar disso, a Câmara e o Senado ficaram com mais representantes alinhados à direita do que há quatro anos.

Conservadores, reacionários ou mesmo fascistas. Defensores do regime militar, pastores fundamentalistas e apoiadores de Levy Fidelix ganharam espaço.

Nas eleições para presidente, uma vitória de Aécio significa também uma guinada à direita. Uma volta do PT à oposição e um enfraquecimento das posições à esquerda do PT.

Um enfraquecimento principalmente de Luciana Genro e do PSOL, que com uma vitória de Dilma pode se destacar como a oposição necessária.

Uma oposição que desafie os interesses que o PT precisou, em parte, abraçar. Ou também não chegaria ao poder.

Quem vota então apenas para tirar o PT do governo, baseado em denúncias de corrupção ou por acreditar ser necessário uma mudança, precisa ter bem claro o tipo de mudança que espera.

Em matéria de corrupção, como disse Luciana, a crítica do PSDB é “o sujo falando do mal lavado”. E, com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, a “sujeira” do PSDB é maior: o partido ocupa a terceira posição no ranking de políticos cassados por corrupção, enquanto o PT é o nono.

Quanto à mudança, é preciso ter bem claro se o que se quer é ir para a direita.
Se o que se defende com o voto em Aécio são suas propostas, e não um simples protesto contra o PT. Se o que se defende é a cartilha econômica de Armínio Fraga, que chegou a dizer que o salário mínimo está muito alto e que isso prejudica a economia, assim como a não independência do Banco Central.

De fato, pode prejudicar.

Ao diminuir os lucros dos empresários e consequentemente o dinheiro disponível para investimentos da iniciativa privada. É uma lógica que faz sentido, mas que precisa ficar bastante clara. A velha lógica de que é preciso fazer o bolo crescer e concentrar riqueza, para só depois pensar em distribui-la.

Fernando Henrique disse que os eleitores do PT votam no partido por falta de informação, mas isso parece que se aplica mais aos eleitores do PSDB. Ou de fato eles entendem as propostas?

Aécio não as explicou muito bem durante o primeiro turno e preferiu pautar o debate nos ataques ao PT.

Agora no segundo turno ele terá mais tempo e pode finalmente realizar o desejo de Rodrigo Constantino, da Veja, e se apresentar de vez como um candidato de direita.
O Brasil ganharia muito se ele fizesse isso. E o eleitor pudesse então escolher baseado em convicções.

Mas parece que nem Aécio acredita que a maioria defenda essas propostas e por isso preferiu escondê-las ou ao menos não detalhá-las como poderia.

Em um país tão desigual quanto o Brasil e com um salário mínimo de 724 reais, isso é bastante compreensível.

Ainda assim, falou bastante de meritocracia, mesmo em eventos com socialites paulistanas que lhe dão todo o apoio. A maioria herdeiras de quatro costados que o grande esforço diário é atravessar as ciclofaixas de salto alto rumo ao shopping.

É por elas principalmente que precisávamos de Luciana Genro, mas isso ainda não foi possível.

Eleger Aécio afasta ainda mais essa possibilidade e fará as Jornadas de Junho serem lembradas como um movimento majoritariamente de direita, mesmo que não tenha sido.

Mesmo que Dilma vença, a oposição precisa ser de esquerda.

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