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O caso do garoto João Antônio, assassinado essa semana em Goiás, é um caso de homofobia que resultou em homicídio.

Homofobia em seu sentido mais puro, e não o que nos acostumamos a chamar, aquele que se relaciona ao ódio.

O assassino confesso de João Antônio afirmou ter mantido relações sexuais com o garoto, mas também afirma não ser homossexual.

Um paradoxo que pode ser explicado pela análise da própria expressão “homofobia”.

Chamaremos então aqui o ódio gratuito contra os homossexuais ou transexuais de “homocismo”, algo semelhante ao racismo. Já “homofobia” será utilizado para designar aqueles que tem medo de se aproximar de homossexuais ou a quem falta coragem para se assumir como um.

O ódio é o oposto do amor, enquanto o medo (fobia) o contrário da coragem.

O assassino de João Antônio não é um “homocista”, mas sim um homofóbico.

Matou para que ninguém soubesse que ele também é homossexual.

Em geral esses sentimentos surgem como resultado de um contexto cultural em que o homossexual é estigmatizado, menosprezado e tratado como um ser humano inferior. Para algumas religiões, merecedor do inferno.

Na Grécia Antiga, de Sócrates, Platão e Aristóteles, por exemplo, não faria sentido falar nesses termos que hoje falamos. Basta ler as obras desse período para confirmar a naturalidade com que a relação entre pessoas do mesmo sexo era tratada.

As coisas mudaram no Ocidente com o domínio da moral judaico-cristã, que passou a ter a Bíblia como verdade absoluta.

E é isso até hoje a raiz do problema.

Há uma passagem em Levítico que diz: “O homem que se deitar com outro homem como se fosse uma mulher, ambos cometeram uma abominação, deverão morrer, e seu sangue cairá sobre eles”.

E é em nome dessa liberdade religiosa que homossexuais continuam a serem assassinados apenas por serem homossexuais.

Mas como impedir que religiosos preguem o que está na Bíblia?

Não parece algo simples, porém já foi feito.

A Bíblia também afirma que mulheres adúlteras sejam apedrejadas até a morte pois essa seria a vontade de Deus e ainda assim aprovamos a Lei Maria da Penha.

É verdade que demorou bastante, e “lavar a honra” com o sangue da mulher adúltera foi aceito por nossos juízes como tese de legítima defesa até pouco tempo.

Quantos homossexuais ainda serão apedrejados apenas por serem homossexuais também é uma questão de tempo.

Do espírito do tempo a corrigir nossos equívocos.

Estejam eles na Bíblia ou na Constituição.

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