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Podemos afirmar isso ao considerar o mérito apenas como resultado dos esforços desempenhados a partir de determinadas possibilidades, e evitarmos assim qualquer juízo de valor.

Se a Globo na década de 60 se resumia a uma emissora de rádio e a um pequeno jornal, bem menor que o Jornal do Brasil ou o Correio da Manhã, e cresceu tanto, tanto a ponto de fazer da família Marinho a mais rica do Brasil – conforme divulgado recentemente pela Revista Forbes – é porque o clã sem dúvida fez por merecer.

A história dos Marinhos remete a um mito presente em diversas épocas e culturas, de um pacto firmado por um homem ambicioso com seres muito poderosos, que em troca da alma do sujeito, o tornam também poderoso. O Fausto, de Goethe, tratou com o demônio Mefistófeles; Roberto Marinho, com os militares da ditadura.

Foram os generais que o escolheram, investiram e fizeram da Globo a porta-voz dos interesses do novo governo, que com o golpe de 64 assumia o poder. E os militares nunca se arrependeram da escolha. Por muitos anos a Globo prestou excelentes serviços, e foi por isso muito bem remunerada. Com o fim da ditadura, o império já estava montado, mas Roberto Marinho, como Fausto, continuava preso a seus acordos e interesses.

Não só Roberto Marinho, mas todos os que como ele, lucraram e ainda lucram bilhões com as concessões públicas da mídia, que apesar de na teoria serem destinadas a prestar um serviço público, voltado ao interesse público, tratam-se na verdade muito mais de negócios privados.

Globo, Record, Band e SBT, as grandes beneficiárias do atual sistema de distribuição das concessões, acostumaram-se a colocar seus interesses empresariais à frente da verdade e do interesse público. Por isso não vemos em seus noticiários, por exemplo, quase nada sobre a nova lei de tributação das cervejarias, que fará com que muitas empresas de pequeno porte venham a falência, mas que beneficia bastante a AMBEV, uma das maiores anunciantes da velha mídia.

É nessa troca de favores, seja em relação à AMBEV, a bancos, igrejas ou partidos políticos que as famílias de Roberto Marinho, Silvio Santos, Edir Macedo e Jorge Saad, seguem tocando suas concessões e impérios. Após tantos anos de proximidade com os mais poderosos, servindo-lhes quando necessário, eles próprios entraram para o clube.

Para se manter nele, porém, precisam que a população continue a formar opinião a partir das informações e pautas escolhidas por eles e poucos outros, que detinham o monopólio da comunicação em massa. O que, com a internet, mudou radicalmente.
A invasão alienígena noticiada por Orson Welles, hoje seria desmentida instantaneamente no Twitter. Já a manipulação é mais sutil e dificil de ser desmacarada, e a família Marinho exerce essa arte com a execelência do padrão Globo de qualidade! Um know-how vastíssimo, mas ainda assim insuficiente para vencer a internet.

Talvez sem a internet e com novo apoio da Globo, o golpe de 64 se repetisse esse ano. Contudo, no novo cenário da comunicação, a família Marinho já mantém muito mais a fortuna do que a influencia e a credibilidade, ainda que elas sejam diretamente proporcionais. Por isso o futuro para a Globo não parece tão glorioso quando o seu passado, mas os Marinhos, por lutarem tão bem por tanto tempo e a favor de tantos interesses, merecem sim terem se tornado os mais ricos do Brasil. Como Fausto mereceu Mefistófeles.

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