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Alguns jornalistas são tão ruins que é melhor ignorá-los. Outros são tão ruins, mas tão ruins, que o que escrevem pode ser utilizado pra defender melhor o ponto de vista oposto. É quase sempre o caso de Rodrigo Constantino, blogueiro da Veja. 

No seu artigo sobre o final da novela e o beijo gay ele diz coisas como “não vou negar que representa uma conquista sob o ponto de vista do movimento gay – longe de ser, então, uma conquista dos brasileiros”. Ou “ninguém deve ser obrigado a achar “lindo” um beijo entre dois homens. Não são pela “diversidade”? Então que aceitem a verdadeira diversidade, inclusive com pessoas que não apreciam esteticamente um beijo entre machos”. 

Rodrigo não entendeu bem a coisa. Acredita que o interesse seja obrigar os outros a achar lindo, quando a questão é que gays continuam a ser expulsos de casa, a sofrer bullyng nas escolas, serem espancados ou assassinados, apenas por serem gays. Parece então muito mesquinho ao se preocupar com a apreciação estética de uma causa que ainda é de vida ou morte. E por isso se engana ao dizer que é uma “conquista do movimento gay”, quando na verdade, se, de fato, houve alguma conquista, trata-se de uma conquista humanitária. 

Os gays ficaram felizes e o deputado deu “pulinhos de alegria” porque talvez esse beijo ajude as pessoas que não apreciam esteticamente um beijo entre machos, a pelo menos irem se acostumando. Cada vez mais os gays irão se beijar nas ruas, nas praias, nos shoppings, nos reality-shows, perto de crianças. Nem mais nem menos que os heterossexuais e é disso que trata a igualdade de direitos. 

E você, Rodrigo, continuará tendo todo o direito de achar isso errado, feio, bobo ou o que quiser, não se preocupe. Você é livre também para odiar negros ou religiosos. O que a sociedade deve proibir apenas é que alguém defenda em público essas ideias. Do mesmo modo que você não pode dizer que acha nojento ver dois negros se beijando, você não deveria poder em relação aos gays. Além de náusea, isso estimula a violência. Por fim, não serve pra nada e nem importa. Gays continuarão se beijando, independente do que você acha. 

Por isso seu artigo, sinceramente, eu não sei para que serve além de ofender. A quem ajuda ou o que pretende. Que os gays não se beijem como os heterossexuais por respeito aos estômagos sensíveis de quem os condena? Talvez a causa dessa sensibilidade seja a homofobia em seu sentido mais literal. Como uma vertigem em quem tem medo de altura. Algo tratável com terapia ou remédios nos casos mais graves. 

O que eu lhe sugiro então é que, caso ainda sinta necessidade de escrever sobre o assunto, aproveite para sugerir a outros que compartilham dessa opinião/doença a não tentar impor a própria vontade com violência, a procurar tratamento. É desses que os gays ainda precisam se proteger e a novela talvez ajude e é isso também que você parece ignorar. Que a homofobia severa, a que leva a ataques de ódio e assassinatos, deva sim ser tratada como um sério problema de saúde e segurança pública e que a mídia e o governo contribuam nessa causa. Talvez a homofobia não tenha cura, mas possa facilmente ser controlada. 

De certo modo, é o que todos fazemos a respeito dos nossos medos. Tenho certeza de que se, por exemplo, você e a Rachel Sheherazade fossem casados e eu os encontrasse por aí aos beijos, sentiria medo. Talvez a mesma “aversão natural” que você fala. Alguma fobia primitiva de que esse acasalamento pudesse ter consequências muito ruins. Ainda assim eu jamais exigiria que vocês não se beijassem na TV ou em público. Não tentaria evitar que vocês tivessem filhos e muito menos os espancaria até a morte. Se ainda não conseguimos nos amar, que ao menos cultivemos tolerância e bom senso.

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One thought on “UM BEIJO GAY, UM BLOGUEIRO DA VEJA E OS ESTÔMAGOS SENSÍVEIS

  1. Prezado,
    este boboca com quem vc perdeu um tempo e um tema importantes nada mais é do que mais uma fruta podre que, tragicamente, Joseph Pulitzer nos avisou que surgiriam, estando ele ainda no fim do século XIX:
    “com o tempo, esta imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma”.
    creio, agora, que ele foi –até– muitíssimo generoso!…
    volte ao tema!! com o tempero com o qual enquadrastes o “deputado” dos ‘tico-e-teco’ heteros… sds, Márccio Campos – rio de janeiro

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