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Tom Daley é um dos maiores ídolos do esporte britânico, em um esporte que ele próprio ajudou muito a popularizar. Pratica saltos ornamentais e aos 14 anos já era um dos melhores do mundo. Aos 18 foi bronze nas Olimpíadas de Londres e agora aos 19 é um dos favoritos ao Ouro nos Jogos do Rio de Janeiro.

Essa semana ele gravou um vídeo em que revela namorar um rapaz. No Brasil, isso significaria algo como o César Cielo apresentar o marido na Ilha de Caras. Muito mais do que a Daniela Mercury, a esposa.

Artistas ainda parecem ter mais liberdade e já tivemos vários ídolos assumidamente homossexuais. Atletas, nenhum que eu me lembre.

No futebol e em outros esportes de massa isso se explica na reação ofensiva de boa parte da torcida do Corinthians ao selinho que o Emerson deu no amigo. Ainda aceitamos esse tipo de atitude como algo que não seja crime, como aceitávamos no passado que os clubes proibissem a entrada de pretos.

Há pouco tempo as pessoas eram livres para não gostar de pretos e expressar isso como quisessem, desde que não ferissem outras leis, como no caso de matá-los. É o que ainda acontece hoje em relação aos gays.

Acontece principalmente em nome de uma suposta liberdade religiosa, completamente paradoxal. Não permitimos que uma igreja pregue a supremacia ariana, mas aceitamos que promova a superioridade heterossexual. Em ambos os casos, trata-se de um ataque à identidade de um ser humano, a algo que o constitui sem que lhe tenha sido dada uma escolha.

Ninguém escolheu ser preto, como ninguém escolheu ser branco. Ainda que depois de muito esforço e dedicação um preto consiga se passar por branco, como o Michael Jackson fazia. O contrário também deve ser possível, mas nenhum deles será genuinamente como um branco ou preto originais, se é que com a miscigenação isso ainda existe.

No caso dos gays, algumas igrejas frequentadas por alguns psicólogos afirmam que também é possível, com muita força de vontade e dízimos/pagamentos da consulta em dia, que esses gays levem uma vida heterossexual. Ainda que, como disse o pastor e deputado estadual Sargento Isidoro, um ex-gay convertido à heterossexualidade, não possam ficar muito tempo perto de homem, pois, afinal, “a carne é fraca”.

Entendo que alguém gay tenha o sonho de ser heterossexual, assim como, dadas as circunstâncias de um racismo silenciado mas ainda presente, um preto deseje ser branco. O contrário é mais difícil em ambos os casos, mas também entenderia, já que cada um deve ser livre para tentar fazer de si mesmo o que bem quiser.

O que é mais difícil de entender – e volto agora ao caso do Tom Daley – são algumas opiniões sobre o rapaz. No twitter, um declarado ex-fã, disse que Deus está vendo e que Daley pagará por isso. É uma opinião comum, típica de um sujeito genérico bastante presente, principalmente em igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade.

Nessa linha de pensamento, o fiel segue a sua crença, esperando que um Deus o contemple com tudo o que deseja ainda nesse mundo. Em geral, dinheiro, fama, saúde e amor, ou seja, tudo o que Daley já tem. E deve ser bastante difícil para o crente aceitar isso.

Como pode? Se Daley não paga o dízimo e se deita com homens? Devem acreditar ser uma questão de tempo, mas ainda assim tem pressa, tanto de ver o rapaz se dar mal, quanto de eles mesmos alcançarem o que não tem. Precisam provar a si mesmos a verdade da própria fé e tratam então de tentar fazer eles mesmos o que Deus esqueceu. Seja ao punir alguém apenas por ser gay ou ao trabalhar duro para colar um adesivo na Kombi escrito que foi “Deus quem me deu”.

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